Finalmente estou jogando no maravilhoso mundo de Glorantha!
Não pelo sistema RuneQuest mas por seu irmão mais novo, QuestWorlds, para jogos mais narrativistas. Isso acontece porque os membros do servidor Discord onde jogo, têm uma preferência ou restrição que os leva a jogar por texto (play by post). Concordo que jogar RuneQuest não seria viável dessa forma.
E como não consegui jogadores para jogar por voz usando o Roll20, abandonei a divulgação dessa mesa e passei a reforçar a mesa de QuestWorlds. Creio que até expliquei um resumo das regras enquanto pensava se usaria Valley of Plenty ou os volumes da saga do clã da Vaca Vermelha.
Bom, o resumo atraiu a galera. Eles realmente querem sistemas mais simples para jogar por texto. Acredito que meu entusiamo pelo mundo de Glorantha também tenha sido um fator. Nesse servidor, dedico um canal para falar de Glorantha. Gosto muito de compartilhar coisas, principalmente algo que merece ser mais conhecido.
Por fim, escolhi Valley of Plenty que é o livro que dar início à Saga dos Matadores de Jaldon. Três fatores foram preponderantes para a escolha. Primeiro, estava atualizado com as regras da última edição de QuestWorlds; segundo, prometia começar simples, tanto em termos de regras quando de cenário e; terceiro, a saga começaria na infância dos personagens, o que achei diferentão.
Preciso pontuar que eu li o primeiro volume da campanha da Vaca Vermelha, The Coming Storm, que basicamente fala sobre o ambiente, o reino de Sartar, a tribo e o clã, bem como os diversos personagens não-jogadores. Depois li o início do segundo volume, The Eleven Lights, que contém as aventuras ou cenários onde a ação acontece. Gostei do que vi ali e espero usar esse material um dia.
Qual é a ideia de Valley of Plenty? É acompanhar a saga heroica do bando dos Selvagens (que é como a cidade chama o grupo dos personagens) da infância até a vida adulta, seguindo os acontecimentos da Tribo dos Dundealos, os Matadores de Jaldon. Parte desses acontecimentos são canônicos e pretendo não dizer aqui, para não perder a graça.Mecânicas do jogo começam a ser aplicadas, os vínculos com a comunidade serão reforçadas entre os Selvagens e a tribo, oportunidades de conhecer outros clãs surgirão.
No segundo interlúdio, temos as linhas gerais para avanço das habilidades de um jovem adulto e rolagens de eventos.
O terceiro capítulo, Ritos de Passagem, os personagens determinarão suas Runas e talvez seu culto. Eles agora estão cientes e prontos para se envolver em questões maiores que afetam seu clã e tribo.
"O objetivo do capítulo é firmar os pés dos Selvagens na Trilha do Herói com uma base sólida que inclua laços significativos com sua comunidade e outros aventureiros."
Pausa Narrativa
Tomei uma decisão de explorar cada personagem individualmente para aproximar mais os jogadores do mundo de jogo, para eles entenderem a cultura do clã e da tribo, dos seus deuses, do xamanismo e dos espíritos, feriados sagrados, o que for importante tratar. Isso está acontecendo agora, entre a primeira e segunda seção do primeiro capítulo.
Já narrei a cena para o Galak, um garoto curioso que aprecia aventuras. Seu pai é um caçador já idoso. Como a tribo tem seu modo de sobrevivência baseada nos cavalos, supus logicamente que seu pai caça a cavalo com arco e lanças de arremesso. Diante disso, introduzi a cultura dos cavalos e os principais deuses, Elmal e Redalda (ou Redaylda). O jogador sinalizou pelo personagem que não aprecia montaria então vamos ver no segundo capítulo como vai ser o direcionamento.
A segunda cena foi para o Derikos que é um garoto com predisposição para o mundo espiritual. Ela acontece durante o maior feriado sagrado dos cultos de Elmal e Redalda durante a Estação do Fogo (verão). Em algum momento das festividades, ele foi atraído pelo espírito da tribo e levado para a casa da xamã da cidade, Losoric. Uma pessoa com tais predisposições não treinada é um perigo para si mesma e para a comunidade. A conversa está girando em torno das dúvidas do menino e da importância dos xamãs para a comunidade. Ela deseja que Derikos assuma seu papel de aprendiz para um dia assumir o posto que é dela agora.
Tenho em mente para o menino Enmul, o espião da turma, que ele conheça uma menina dos Orlanthi das Colinas, para apresentarmos uma parte da comunidade mais voltada para a agricultura e ao culto de Orlanth e Ernalda que são o rei e a rainha dos deuses dos orlanthi (os dundealos estão inseridos na cultura orlanthi). Essa parte da comunidade usa os cavalos preferencialmente como animais de carga e viagens.
Por fim, para o Jabba, filho de um comerciante, devo inserir os cultos religiosos ligados ao comércio, os idiomas, as magias rúnicas usadas no comércio, os mercadores estrangeiros, etc. É o pai ensinando o filho sobre sua profissão, como é o costume.
Depois dos Capítulos
Se chegarmos até o fim do conteúdo do livro, tendo passado por todos os cenários presentes ou outros que a história demandou, pretendo fazer um hiato. Os motivos são dois: tanto eu como os jogadores se envolverem em outros projetos e termos tempo para refletir sobre a narrativa que construímos e, segundamente, esperar o segundo livro ser publicado.
Considerações Finais
Cada um dos modos de jogar RPG tem suas próprias dificuldades. Manter grupo instigado para continuar jogando, sem desanimar, é o maior desafio que tenho encontrado. Falo por mim, que invisto energia emocional e mental para contar boas histórias e pessoalmente gosto de pautar o cenário para provocar uma imersão maior. Isso por si mesmo exige boas técnicas que não sei se tenho ou se as executo bem. O retorno dos jogadores são importantes para seguir melhorando.
Vou querer continuar jogando em Glorantha, tenho planos para mesas presenciais e online. De verdade, não é um mundo cansativo, é muito rico, muito denso, pode parecer até assustador adentrar nele por conta disso, mas me parece que basta saber como abordá-lo.
Espero que comentem essa postagem, dialoguem comigo, dialoguem entre si nos comentários, vamos guardar nossos pensamentos na memória da Internet.


primeira vez que leio sobre uma narrativa que aborda passagens te tempo distintas na vida dos jogadores. Permite-os a terem mais oportunidades de narrações.
ResponderExcluirSim, é um momento deles fazerem perguntas também, ainda mais no papel de crianças curiosas. Agradeço muito por ler e fazer questão de comentar, Pedro.
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