domingo, 1 de novembro de 2015

Uma cena no Compacto RPG

Acho que essa volta aos princípios, ao RPG, é de uma sensação muito boa. Passei por momentos divertidíssimos quando sentei ao redor de uma mesa com amigos para compartilhar e vivenciar estórias. A vida nos transforma, nos transporta para outros lugares, e, por vezes, nos afasta do que gostamos, seja por crescer, amadurecer, ser tomado de várias responsabilidades e, claro, por aceitá-las. Se o tempo não volta, vamos imaginar que voltou e vamos tratar de RPG agora.

Não sou fã de um sistema de regras apenas. Na verdade, me maravilho com as ideias desses caras, os inventores de jogos de RPG. Tenho em meu pequeno acervo, D&D, Arkanun, Rastros de Cthulhu, 3:16, Este Corpo Mortal, Dungeon World, Shotgun Diaries, Star Wars: Fronteiras do Império, O Um Anel, entre outros. Há muito tempo atrás, escrevia meus próprios sistemas. Inicialmente porque não tinha um livro de regras, depois para adequar um sistema ao meu gosto ou a um gênero que eu gostasse de jogar.

O último sistema de regras que criei foi o Compacto RPG. A intenção era jogar de improviso, ter uma ideia na cabeça e querer implementá-la imediatamente, se possível. Com essa premissa na mente, idealizei um sistema com mecânicas simples e de rápida execução. Você pode encontrar as regras nesse link e um esboço de aventura nesse link.

Vamos exemplificar nesse post o uso das regras por meio de uma cena:

Hiraga Mota é um ninja contratado para matar dois policiais que são parceiros: Kira Metsuo e Akono Tengoa. Os policiais seguem uma pista de que há contrabando escondido num antigo depósito próximo ao porto. Ao chegarem lá, são emboscados.

Hiraga Mota (Combate, Esportes, Furtividade e Sobrevivência), Nível 5, porta shurikens e uma katana.

Kira Metsuo (Combate, Resistência, Sobrevivência, Contatos), Nível 2, porta pistola e colete.

Akono Tengoa (Combate, Furtividade, Conhecimento do Local, Esportes), Nível 2, porta pistola e colete.

Turno 1

Mota possui a iniciativa pela surpresa do encontro, então ataca com um shuriken de uma posição oculta. Os policiais usam coletes então reduzem a classe de dano em um. O shuriken é uma arma de classe C, logo a classe desse ataque é B. No entanto, o ninja tem Combate que aumenta a classe novamente para C.

Mota rola d6 que dar um 3, falhando em acertar o ataque.

Metsuo de repente sente o impacto de algo em seu peito! Surpreso, ele olha para uma estrela enfiada no seu colete.

Ele grita: - Proteja-se!

Fim do turno. Nesse turno, o mestre informa que o ninja será o primeiro a agir porque considera que os policiais ainda não localizaram o agressor.

Turno 2

Novo ataque com shuriken! Rola um 1. Falha novamente.

O shuriken rebate numa coluna no momento que Tengoa se protege.

Metsuo é o primeiro a reagir mas o mestre sugere que ele role a Furtividade com dificuldade Difícil para o ninja se manter oculto. Depois desse teste, a dificuldade vai cair para Muito Difícil, se o ninja continuar atacando.

O mestre rola um 3, tendo falhado em manter o ninja escondido. Logo Metsuo atira ao ver o ninja.

Metsuo rola um 5 contra a Classe D, ferindo o ninja! Mota cai para 3 PVs.

É a vez de Tengoa que também atira. Rola um 6! Causou um crítico! Vamos para a Tabela de Morte. Rola um 2.

O ninja é atingido na canela que o derruba imediatamente. Ele cai consciente mas não consegue se mover.

Fim do Combate

Luta rápida, não? Havia pistolas no meio e sorte nos dados talvez.

O sistema foi criado num tempo em que a maioria dos sistemas era bem complexa e os simples eram apenas alternativos demais para agradar o grande público do RPG. Eu o imaginei esse apenas como um apoio para um contar de estórias entre o mestre e os jogadores, provavelmente um cenário de realidade fantástica ou de séries como Arquivos X, por exemplo. Deveria haver poucas rolagens e mais um vai e vem de narração entre os dois pólos.

Após tanto tempo sem escrever sobre o Compacto, é bem certo que eu não faça nenhum aperfeiçoamento nas regras, mesmo após tantos anos. Não sou um designer de jogos, apenas um fã desse universo.

Observação

Esse texto foi escrito quase em sua totalidade em 2014 para um outro blog. Ficou muito tempo como rascunho até que eu o resgatei e dei publicidade aqui.